sexta-feira, 13 de julho de 2012

UMA MENINA CHAMADA CHAPEUZINHO AZUL


Aposto que você adivinhou que essa menina conhecida pelo apelido de Chapeuzinho Azul era irmã daquela outra menina conhecida pelo apelido de Chapeuzinho Vermelho.
As duas meninas ganharam seus chapeuzinhos no mesmo dia. Foi no Dia da Criança de mil, seiscentos e me esqueci. Elas gostaram tanto de ganhar seus chapeuzinhos que até se esqueceram de ficar bravas porque não tinham ganhado as bonecas que tanto queriam.
Esses chapeuzinhos na verdade eram duas capinhas com capuz, mas todo mundo conhece a história
da menina que ganhou a roupinha vermelha como “Chapeuzinho Vermelho”, então vamos fingir que as capinhas com capuz eram chapeuzinhos, está bem?
Naquele dia em que a menina do chapeuzinho vermelho saiu de casa para levar doces para a vovozinha que estava doente e se encontrou com o lobo etc. e tal, a irmã dela ficou em casa. Ela passou o dia todo no quarto porque estava com gripe.
Ninguém nunca ouviu falar na Chapeuzinho Azul porque ela nunca teve um dia tão agitado como o da irmã dela. Ninguém nunca ouviu falar também do pai das duas meninas porque quando a Chapeuzinho Vermelho foi pela estrada afora bem sozinha, o pai dela estava na cidade, que ficava não muito ali por perto. Ele saía de casa todo dia bem cedinho e só voltava de noite. Porque trabalhava, junto com muitos outros homens, na construção de uma ponte que estava sendo feita sobre um grande rio.
Ninguém nunca ficou sabendo também que a Chapeuzinho Vermelho tinha uma outra avó. Isso é fácil de imaginar, porque afinal as crianças geralmente têm duas avós, a mãe da mãe e a mãe do pai. Essa outra avó era mãe do pai. Aquela que quase virou comida de lobo era a mãe da mãe.
Essa outra avó das Chapeuzinhos se chamava Iolanda, mas todo mundo a chamava de Vó Gorda, você pode imaginar por quê, né?!! Mas, ela não se importava com esse apelido, e até achava graça. Então, a Vó Gorda saiu lá da casinha dela com uma cestinha de doces para levar para a Chapeuzinho Azul que, como eu já contei, estava gripada, coitadinha.
No caminho para a casa da netinha, a avó se encontrou com um lobo. Um lobo tão Lobo Mau quanto aquele que enganou a Chapeuzinho Vermelho. E esse outro Lobo Mau tentou enganar a Vó Gorda, dizendo para ela ir pelo caminho da floresta. Mas como ela não era boba, foi pelo caminho mais curto e chegou antes do Lobo Mau. E quando ele chegou pronto para comer a Chapeuzinho Azul e a avó dela, deu de cara com o pai das meninas, que já tinha voltado do trabalho. Ele estava esperando pelo lobo na frente da casa com sua espingarda em punho. Lá dentro a Chapeuzinho Azul, a mãe dela e a Vó Gorda espiavam pela janela e riam.
O lobo, que era tão Lobo Mau quanto o outro, mas também tão esperto quanto a Vó Gorda, quando viu a espingarda, deu um tchauzinho de longe e deu no pé. Na noite desse mesmo dia, a Chapeuzinho Vermelho chegou acompanhada pelo caçador e contou sua aventura. Foi por isso que os pais das meninas nunca mais deixaram as duas andarem sozinhas pela floresta. Depois do jantar, as duas irmãs pediram para comer os doces que a Vó Gorda tinha trazido em sua cestinha. Mas ela deu uma gargalhada e confessou que tinha ficado com fome no caminho e foi beliscando, beliscando, beliscando e, quando chegou, a cesta já estava vazia.


(De Flávio de Souza, livro: Que história é essa? 2. São Paulo, Companhia das Letrinhas, 2000)





FOLCLORE - LENDA DO LOBISOMEM

Dizem que sobe uma família tem sete filhas, o oitavo a nascer, se for homem, está predestinado a virar Lobisomem. O menino nasce normal, mas cresce pálido, magro e de orelhas grandes.
Ele é muito parecido com um lobo, coberto de pelos, com unhas grandes, focinho e rabo. A estatura, porém, é de um homem. Consegue andar com quatro patas ou equilibrando-se sobre duas, assemelhando-se à postura humana.
Toda sexta-feira ele anda pelas ruas e estradas desertas, sempre acompanhado por muitos cachorros. Ataca quem aparecer em seu caminho, e é muito difícil fugir dele, pois é muito veloz. Dizem que quem se deparar com um Lobisomem deverá rezar três ave-marias para se proteger.
Antes do sol nascer, ele volta para casa e se transforma novamente em um homem normal. Para quebrar o encanto e livrá-lo da maldição,deve-se chegar bem perto, sem que ele perceba, e bater muito forte em sua cabeça. Mas deve-se tomar cuidado, pois se a pessoa for atingida por uma vale de sangue, carregará para sempre esta maldição.

Fonte: Texto de Patricia Amorim. EditoraVale das Letras.


FOLCLORE - LENDA DO UIRAPURU

Um jovem guerreiro apaixonou-se pela esposa do grande cacique de sua tribo. Infelizmente, o jovem não podia se aproximar de sua amada, por isso pediu a Tupã, o Deus dos índios, que o transformasse em um pássaro.
O uirapuru voou para a floresta com o cacique a persegui-lo. Andaram por tantos lugares diferentes e por um tempo tão grande que o cacique acabou se perdendo. Depois disso, o uirapuru voltou e cantou durante a noite inteirinha para sua amada.
Dizem que se uma pessoa ama e não é correspondida, ou se não vai bem nos negócios, deve adquirir um uirapuru. Ele trará sorte para pessoa, principalmente se este amor for verdadeiro.

Fonte: EditoraVale das das Letras Ltda.



FOLCLORE - LENDA DO BOTO COR-DE-ROSA

A lenda do boto é muito comum na região norte do país. Ela fala sobre o encantamento que os botos possuem, permitindo que se transformem em rapazes altos, fortes e muito bonitos, em ocasiões de festas.
Eles costumam usar roupas brancas, sapatos brancos e sempre estão de chapéu, para encobrir parte do rosto e o buraco que trazem no alto da cabeça. Segundo a crendice popular, nas festas sempre haverá um
boto a espreitar uma senhorita.
Dizem que o seu andar é meio desajeitado, pois está pouco acostumado a andar em terra firme. Outros dizem que ele é muito quieto, calado demais para os costumes da região. Por isso, as pessoas mais experientes logo desconfiam quando vêem um.
No entanto, as moças de nada desconfiam, porque quando estão em uma festa, os botos, bebem, dançam e paqueram como qualquer rapaz normal. Como são muito sedutores, as moças e ficam apaixonadas à primeira vista. Quando se dão conta, já foram conquistadas.
Antes do dia nascer, eles voltam aos rios, pois o encantamento só dura à  noite. A moça nunca mais vê o rapaz, mas continua sonhando com ele pelo resto da vida. Dizem que os botos são os pais das crianças de paternidade ignorada da região.

Fonte: Texto de Patricia Amorim. EditoraVale das Letras.






FOLCLORE - LENDA DO SACI - PERERÊ

O Saci Pererê é um velho conhecido das pessoas, sua lenda surgiu no final do século XVIII. Ele é um menino, negrinho e de uma perna só, que adora aprontar diversas travessuras.
É um mito muito difundido no Brasil, dizem que vive fumando cachimbo usa na cabeça uma carapuça vermelha. A carapuça do Saci lhe concede poderes mágicos, como o de aparecer e desaparecer na hora e no lugar que quiser.
O principal divertimento deste menino é assustar as pessoas. Ele adora fazer pequenas travessuras, como esconder brinquedos, soltar os animais nos currais, fazer tranças nas crinas dos cavalos, derramar sal nas cozinhas ou fazer as pessoas se perderem na mata.
Quem for perseguido por um Saci, deve jogar cordas com nós em seu caminho, pois ele irá parar para desatar os nós, o que dará tempo para a pessoa  fugir. Dizem também que ele não atravessa córregos e nem riachos.        
A lenda conta que se alguém quiser capturar um saci, deverá  jogar dentro de um redemoinho um rosário bento ou uma peneira. Se conseguir capturá-lo e pegar a sua carapuça, esta pessoa será recompensada com a realização de um desejo.

Fonte: Texto de Patricia Amorim. EditoraVale das Letras.


FOLCLORE - LENDA DO GUARANÁ

Na tribo dos Maués vivia um lindo indiozinho, de bom coração e inteligência fabulosa. Como era muito esperto e alegre, todos na tribo o admiravam.
O espírito do mal rondava aquela tribo, e invejava o pequeno indiozinho. Ele resolveu acabar com a vida do menino e não iria sossegar até que conseguisse fazer mal ao pequeno. Os outros índios sabiam disso, desta forma estavam sempre por perto para protegê-lo.
Teve um dia que o indiozinho se distraiu brincando, afastando-se da tribo. Jurupari, o espírito do mal, não perdeu tempo,transformou-se uma cobra e deu  o bote, matando o menino.
Ao cair da noite, os índios deram pela falta da criança. Iniciaram uma busca por toda a tribo e encontraram-no caído aos pés de uma árvore.
Uma tristeza sem igual se abateu por toda a tribo. Todos lamentavam a inusitada morte da criança mais amada da tribo dos Maués.
Passados alguns dias, no local em que fora enterrado, nasceu uma planta, cujos frutos eram brilhantes e alegres como os olhos do pequeno menino. Assim nasceu o GUARANÁ, fruta viva e forte como a felicidade que o indiozinho dava aos seus irmãos.

Fonte: Patricia Amorim. Nosso Folclore. Editora Vale das Letras Ltda.



FOLCLORE - LENDA DA MULA SEM CABEÇA

Segundo a lenda, Mula Sem Cabeça é encontrada mais facilmente em pequenos povoados, onde existam casas rodeando uma igreja. Dizem que ela é uma mulher que namorou um padre, e por este motivo foi amaldiçoada.
Muitas pessoas juram ter visto a criatura, e afirmam que ela é uma mula de cor preta ou marrom, e no lugar da cabeça o que se consegue ver é somente fogo.
Possui em seus cascos ferraduras que podem ser de aço ou de prata.
Ela  costuma aparecer na noite de quinta para sexta-feira, quando percorre diversos povoados. À noite ouve-se seu galope, acompanhado de longos relinchos. `
Às vezes parece chorar, como se fosse uma pessoa.
Coitado daquele que aparecer em seu caminho! Se ela encontrar alguém chupará seus olhos, unhas e dedos. Ao ver uma Mula Sem Cabeça, a pessoa deve se deitar no chão, fechar os olhos e  esconder as unhas e os dedos.
Existe uma maneira de quebrar o encanto, mas tem que ser realizado por uma pessoa muito valente. Dizem que essa pessoa deverá picá-la com alfinete até sair sangue. Quebrado o encanto, ela finalmente voltará a ser uma mulher normal.

Fonte: Patricia Amorim. Nosso Folclore. Editora Vale das Letras Ltda.




FOLCLORE - LENDA DE COBRA NORATO

Esta lenda é uma das mabois conhecidas sobre cobras grandes ou Boiúnas, como são chamadas na região amazônica. Conta-se que uma índia engravidou da Boiúna e quando as crianças nasceram, a mãe percebeu que  eram duas.
Já o irmão, que se chamava Norato, era meigo e bondoso. Ele fazia de tudo para salvar os pescadores, o que fazia crescer um ódio incontrolável em sua irmã. Um dia eles tiveram  uma grande briga, em que Honorato ficou cego e sua irmã morreu.
Finalmente as pessoas ficaram livres das suas maldades.
Desse dia em diante, Norato passou a viver ainda mais sozinho. Seu grande desejo era virar humano. Existia uma forma de concretizar este sonho, mas Norato precisava da ajuda de alguém muito corajoso. Esta pessoa deveria derramar "leite materno" na cabeça da cobra, mas ninguém tinha coragem de chegar perto dele o suficiente para realizar a simpatia. Um dia, um soldado de um município distante chegou naquela região e ficou sabendo da triste sina de Norato. Sem pensar duas vezes ele procurou a cobra e fez o que era  preciso.
Norato, a partir deste dia, se livrou da sua maldição e em agradecimento virou soldado também.

Fonte: Patricia Amorim. Nosso Folclore. Editora Vale das Letras Ltda.


FOLCLORE - LENDA DE IARA

Na tribo dos Manau, vivia uma linda jovem que se chamava Dinahí. Ela impressionava a todos por sua grande beleza e coragem. A índia era mais valente que a maioria dos homens da tribo. Este fato causava muita inveja em vários guerreiros, que passaram a odiar Dinahí.
Kaúna, o pai de Dinahí, iniciou uma perseguição implacável para localizar a filha.
Durante vários dias e várias noites ela conseguiu escapar. Mas o pai tinha ajuda de todos os guerreiros da tribo, sendo que finalmente conseguiram capturá-la.
Kaúna ordenou  aos guerreiros que jogassem a filha nas águas, exatamente no encontro dos rios Negro e Solimões. Nessa hora, dezenas de peixes vieram  em socorro da índia guerreira, sustentando seu corpo e trazendo-a até a superfície. Os raios da lua transformaram Dinahí em uma bela princesa, com cauda de peixe e cabelos escuros como as águas do Rio Negro.
Ela se transformou em Iara, a Mãe-D'Água. Os pescadores são atraídos pela beleza irresistível da índia, pois quando canta, hipnotiza-os e leva-os para o fundo das águas, para viverem em seu reino. Iara representa a beleza e a coragem da mulher da Amazônia.

Fonte: Patricia Amorim. Nosso Folclore. Editora Vale das Letras Ltda.